sexta-feira, 4 de julho de 2014

'Cidadão age quando Estado falha', diz promotor do RN sobre linchamentos


Para Wendell Beetoven, população não acredita no sistema criminal.
Levantamento do G1 mostra cinco casos registrados no RN neste ano

Do G1 RN
Suspeito de assalto foi amarrado e espancado por moradores de conjunto na zona Norte de Natal (Foto: Cinegrafista amador/Cedida)Suspeito de assalto foi amarrado e espancado por
moradores (Foto: Cinegrafista amador/Cedida)
segurança. Para o promotor de Justiça de investigações criminais, Wendell Beetoven Ribeiro Agra, é neste contexto que acontecem os seguidos casos de linchamentos no Rio Grande do Norte e no Brasil. Em infográfico publicado nesta quinta-feira (3) o G1 fez um levantamento sobre esse tipo de crime no país. Com cinco casos, o RN foi o terceiro estado com mais linchamentos noticiados neste ano, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

O promotor considera a situação preocupante e acredita que a descrença na justiça criminal levou ao ponto atual. "Como as pessoas desacreditam, elas passam a fazer justiça com as próprias mãos, o que é uma forma totalmente ilegítima de aplicação de punição. O cidadão age quando o Estado falha", opina Beetoven, para quem as soluções não precisam ser muito complexas. "Não acredito em soluções miraculosas com criação de divisões especiais para investigar crimes. Falta só o feijão com arroz, as delegacias de bairro investigarem", afirma o promotor.

Suspeito foi amarrado e agredido pelos moradores da vizinhança em São José de Mipibu, na Grande Natal (Foto: José Aldenir)Para o promotor Wendell Beetoven, a população sente falta de respostas imediatas. "Se uma pessoa é assaltada em um ponto de ônibus, ela dificilmente vai fazer um boletim de ocorrência na delegacia porque não acredita que o crime será investigado. O cidadão acha que vai ser mal atendido e perder tempo", diz. De acordo com o promotor, os repetidos casos de linchamentos deveriam servir de exemplo para mais investimentos e soluções das polícias, Ministério Público e Justiça.

Já o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Francisco Araújo Silva, acredita que os linchamentos têm mais a ver com a banalização da violência e alerta: "quem for pego praticando atos como esses será preso". Araújo reforça que por mais que uma pessoa tenha cometido um crime, não cabe ao cidadão puní-la por esse ato. "Não toleramos nem aceitamos essa conduta. Assim estamos voltando a uma época primitiva e perdemos a dignidade para com o próximo", avalia.

G1 tentou contato com o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Eliéser Monteiro Filho, mas a assessoria de comunicação informou que ele não pôde atender as ligações na tarde desta quinta.