segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Dilma diz que plano de Marina a deixa preocupada quanto ao emprego

A presidente Dilma Rousseff, em em entrevista à imprensa no Palácio da Alvorada (Foto: Filipe Matoso/G1)Petista afirmou que leu programa de governo da candidata do PSB.
Ela criticou pontos relacionados às indústrias naval e automobilística.


A presidente Dilma Rousseff, em em entrevista à imprensa no Palácio da Alvorada (Foto: Filipe Matoso/G1)
Candidata à reeleição pelo PT, a presidente Dilma Rousseff afirmou neste domingo (31) que o programa de governo da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, a deixa preocupada em relação à geração de empregos no país.
"Eu quero dizer que eu li nesse fim de semana o programa da candidata [Marina Silva] e vi propostas que me deram muita preocupação no que se refere tanto à criação de empregos quanto à questão da indústria nacional”, afirmou a presidente, que chamou os jornalistas ao Palácio da Alvorada para falar sobre exclusivamente sobre o assunto.
Fico muito preocupada e queria dizer que eu não fui eleita para desempregar ou reduzir a importância da indústria, principalmente aquela que pode ser uma indústria que tenha grande absorção de tecnologia e inovação, e não serei reeleita para isso"
Dilma Rousseff
Dilma criticou pontos no programa da candidata do PSB referentes às indústrias naval e automobilística. A presidente ressaltou que em seu governo 12 fabricantes de veículos ampliaram investimentos no Brasil, como as alemãs Audi e BMW e a japonesa Nissan, e aumentou o número de empregos nos dois setores.
"A política de conteúdo local tem como base produzir no Brasil o que pode ser produzido no Brasil, mantendo preço, prazo e qualidade, e foi muito bem sucedida tanto no caso da indústria naval, quanto na indústria automobilística", afirmou.

Num capítulo dedicado à "Economia para o Desenvolvimento Sustentável", o programa de Marina, divulgado na sexta (29), diz ser "indispensável" revisar "em profundidade" atuais programas de incentivos e proteção para as indústrias de petróleo e automóveis, incluindo a política de conteúdo nacional, que obriga que boa parte dos insumos adquiridos sejam produzidos no Brasil.
As políticas de proteção
e de conteúdo local só
são efetivas enquanto
constituírem casos especiais,
e não a regra
da política industrial."
Trecho do programa de governo de Marina Silva
"Nesses e em outros casos se avolumam reclamações de ambos os lados: os possíveis beneficiários se queixam porque os requisitos de produção local não seriam realmente respeitados, enquanto os agentes aos quais cabe seguir os limites de produção nacional alegam a impossibilidade de atendimento das exigências", diz trecho do programa.

O plano enfatiza que políticas de proteção e de conteúdo local "só são efetivas enquanto constituírem casos especiais, e não a regra da política industrial".

Na entrevista à imprensa, Dilma disse que, se reeleita, não irá desempregar trabalhadores no país. Em discursos de campanha, ela tem reiterado que em seu governo foram gerados aproximadamente 5 milhões de empregos e, somados o seu mandato e o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil criou nos últimos 12 anos 20 milhões de empregos formais.
"Eu fico muito preocupada e queria dizer que eu não fui eleita para desempregar ou reduzir a importância da indústria, principalmente aquela que pode ser uma indústria que tenha grande absorção de tecnologia e inovação, e não serei reeleita para isso", disse a presidente.
"Minha proposta vai ser criar empregos e assegurar que os empregos sejam cada vez mais qualificados, tanto na indústria automobilística e na indústria naval, que é o que vem acontecendo", completou.
Dilma defendeu a instalação de laboratórios de pesquisa no país com o objetivo de desenvolver pesquisas voltadas para os produtos nacionais. Segundo a candidata, a indústria naval brasileira é a quarta maior do mundo e passou de 2,5 mil empregados no início dos anos 2000 para 81 mil neste ano, podendo chegar a 100 mil em 2015. Dilma destacou ainda a abertura de fábricas de automóveis no país.
"Tanto num caso como no outro vimos a possibilidade de, em vez de criar empregos lá fora, porque se importava de forma excessiva e não trazia aqui as condições de inovação, mudar essa realidade, e nós mudamos a realidade", acrescentou.
Ao encerrar a entrevista, Dilma disse que passaria o resto do dia com o neto Gabriel, que viaja ainda nesta noite. Ao deixar o salão onde falou com a imprensa, Dilma se despediu e dirigiu-se a outro ambiente do Palácio da Alvorada, até que o neto correu em direção à imprensa e a presidente foi atrás dele (veja no vídeo abaixo).