sábado, 6 de setembro de 2014

PF vai apurar ataque de índios a madeireiros no Maranhão, diz ministro

Imagens divulgadas nesta quinta-feira (4) pela agência Reuters mostram índios da etnia Ka’apor em operação realizada por eles contra madeireiros que agiam no interior da Terra Indígena Alto Turiaçu, nas proximidades de Centro do Guilherme (Foto: Lunaé Parracho/Reuters)Imagens mostram indígenas perseguindo e agredindo homens em reserva.
Ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) pediu relatório urgente à Funai.

Iagens divulgadas nesta quinta-feira (4) pela agência Reuters mostram índios da etnia Ka’apor em operação contra madeireiros que agiam no interior da Terra Indígena Alto Turiaçu, nas proximidades de Centro do Guilherme (Foto: Lunaé Parracho/Reuters)
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta sexta-feira (5) que a Polícia Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai) vão apurar o ataque promovido por indígenas da etnia Ka’apor a madeireiros ilegais na reserva Alto Turiaçu, na cidade maranhense de Guilherme.
Imagens divulgadas nesta quinta-feira (4) pela agência Reuters mostram índios durante uma operação, realizada em 7 de agosto, destinada a expulsar madeireiros ilegais das terras. As fotos mostram os indígenas correndo atrás dos madeireiros, que foram rendidos e tiveram as mãos amarradas. Alguns tiveram parte das roupas retiradas.
"Tomamos duas medidas. Eu pedi para a Funai um relatório da situação para que possamos ter uma avaliação de segurança da região. E pedi também para que a Polícia Federal apurasse o ocorrido", disse Cardozo após divulgar balanço da operação Brasil Integrado, em Brasília.
Segundo a Reuters, os índios agiram de maneira independente, como forma de protesto contra a falta de assistência do governo para expulsar os madeireiros ilegais de suas terras. A ação acabou com um caminhão queimado e a abordagem de não indígenas envolvidos no desflorestamento. Os guerreiros Ka’apor contaram com a ajuda de outras quatro tribos da região.
Questionado sobre a ausência de funcionários do governo na área, o ministro disse que o Brasil tem “situações muito vastas” e que há “várias operações contra desmatamento” em curso, algumas com apoio das Forças Armadas.
“Mas, evidentemente, temos que estar atentos a todas as situações para que possamos desenvolver ações, a exemplo do que temos feito no Brasil inteiro”, respondeu Cardozo.
O ministro disse ter pedido urgência à Funai na elaboração do parecer sobre a situação do local, mas não adiantou que providências poderão ser tomadas.
“Temos que analisar primeiro o relatório, falar com o Ministério Meio Ambiente para verificar o que pode ser feito e melhorar a condição dessas regiões”, afirmou.
Em nota, a Funai disse nesta quinta-feira que "tem conhecimento dessas ações e já solicitou apoio policial para evitar que ocorram excessos ou conflitos".