segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Serial killer de GO: suspeito morava com a mãe e os avós; conheça mais sobre ele

Homem que confessou 39 mortes disse que sofreu abuso sexual e bullying na infância
Do R7, com Fala Brasil
O vigilante Thiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, morava com a mãe e os avós maternos em um bairro pobre da periferia de Goiânia. Ele trabalhava como vigilante terceirizado em uma maternidade pública, uma das maiores de Goiás. Ele revelou para a polícia que foi vítima de abuso sexual quando tinha 11 anos e sofria bullying na escola por causa do jeito desengonçado. 
Assista ao vídeo:
Depois da prisão, a polícia divulgou trechos do depoimento do vigilante. Thiago Henrique Rocha dava um número para cada vítima de acordo com a ordem dos homicídios. Em entrevista à TV Record, ele admitiu alguns crimes. 
— Eu cometi alguns crimes, estou colaborando e estou muito arrependido pelo que eu fiz, né?
Ele contou o que sentia no momento das mortes. 
— Era uma força maior do que eu. Não tinha como segurar.  O vigilante disse ainda que acompanhava pela imprensa a repercussão dos crimes. 
Os vizinhos ficaram chocados com a notícia que ele era um assassino em série, como conta Divina Rosa Tavares.
— Gente, pelo amor de Deus, a gente com medo lá do centro ou noutro lugar, sem saber que estava aqui na minha porta. Nossa, e eu tenho três filhas jovens, bonitas, cabelão comprido igual ele estava matando.
Um vizinho, que não quis se identificar, conta que sempre estranhou o comportamento de Rocha. 
— Ele parava debaixo da árvore e ficava olhando para os vizinhos fixamente, sem piscar os olhos. Com aquele olhar frio. A gente ficava com medo, mas como a gente vai fazer alguma coisa?
Logo depois de ser detido, o suspeito tentou se matar cortando os pulsos com cacos de uma lâmpada da cela. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros. O advogado do vigilante, Thiago Huascar, afirmou que até agora não conseguiu entender o comportamento do cliente. 
— Ele é muito difÍcil de conversa. Ele olha de uma maneira diferente, meio ansioso, com medo, até depois que ele tentou o suicídio, levou os pontos, eu perguntei pra ele: "Por que você fez isso? O que está acontecendo? Tentaram fazer alguma coisa com você?" E ele: "Não, não aguento ficar abafado". Isso foi o que ele me disse. Eu fui tentar perguntar sobre o caso e ele se manteve em silêncio. Até para a defesa, está difícil trabalhar. 
Thiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, confessou a morte de 39 pessoas Reprodução/Rede Record
Os crimes
Até agora, o vigilante confessou ter matado 39 pessoas: 22 mulheres e 17 homens. Segundo a polícia, Rocha começou a matar em 2011. A primeira vítima foi o estudante Diego Martins Mendes, de 15 anos. Imagens de câmeras de segurança mostraram o adolescente saindo da escola. O corpo nunca foi localizado. Na última semana, o suspeito levou a polícia ao local onde teria jogado o corpo, mas nada foi encontrado. 
Além do adolescente, o vigilante confessou ter matado um colega de trabalho. Ele teria se sentido atraído pela vítima. O colega que também era vigilante foi morto com vários golpes de faca na guarita na qual trabalhava. 
Em 2012, o vigilante começou a matar travestis e depois, moradores de rua. Na época, as mortes ganharam repercussão. O matador agia durante a noite e atirava antes que as vítimas pudessem se defender. Só naquele ano, ele teria feito dez vítimas. No ano seguinte, foram mais quatro assassinatos. 
O número de mortes aumentou em 2014. Rocha confessou ter executado 23 pessoas, quase todas mulheres. A última vítima foi Ana Lídia Gomes, de 14 anos. A adolescente foi morta a tiros quando saía de casa, como conta a mãe dela, Ada Oliveira.
— Ele acabou com a minha vida. Ele tirou um pedaço de mim. Era minha filha, minha companheira, minha amiga, minha confidente.
Além de Ana Lídia, outras 14 mulheres foram mortas entre 18 de janeiro e 2 de agosto deste ano. Todas tinham perfis semelhantes. Eram bonitas, jovens e com idades entre 14 e 29 anos. Elas foram mortas à queima-roupa na cabeça ou no peito.
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Após estes crimes, a polícia montou uma força-tarefa para descobrir o assassino. Imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas foram usados para descobrir a identidade do criminoso: um homem jovem, alto e magro que agia sempre sozinho e de moto. Ele usava sempre o mesmo sapato, preto de solado branco. Além disso, carregava uma mochila nas costas. Em alguns momentos, uma pochete. 
No dia 12 de outubro, o serial killer de Goiânia saiu em busca de mais uma vítima. A escolhida foi uma advogada de 24 anos que caminhava ao lado do namorado. O casal foi até uma barraquinha de lanches. Ali havia outras quatro pessoas. O garçom contou que o suspeito chegou, pediu o cardápio e já foi em direção à jovem. Sem falar nada, apontou o revólver para ela. No entanto, a arma falhou. Irritado, ele deu um chute no rosto dela e fugiu de moto. 
Com base na descrição física que a polícia já tinha e nas características da moto que ele usava, um cerco foi montado. Um vídeo exclusivo da TV Record mostrou o assassino sendo algemado em uma rua movimentada de Goiânia. Esse foi o fim de um dos maiores cercos já montado pela polícia de Goiás, como conta o delegado Eduardo Prado. 
— Convocamos mais delegados, agentes, 150 servidores da polícia de várias delegacias para ampliar nossos olhos sobre Goiânia. E tivemos esse resultado espetacular.
O suspeito foi levado para a delegacia sob um forte esquema de segurança. Na chegada, ele era esperado por parentes das vítimas. Alguns estavam desesperados e passaram mal ao ver o homem. A polícia descobriu que Rocha tinha uma lista de mais de 90 assaltos.
Durante uma busca na casa dele, foram encontrados vários objetos ligados ao crime. Os investigadores também descobriram que ele dificultava a identificação da moto. Um pano vermelho era usado para cobrir o tanque de combustível. As placas eram roubadas e depois colocadas na moto usada por ele. Imagens de câmeras de segurança flagraram o vigilante retirando a placa de uma motocicleta em um supermercado. 
Exames de balística confirmaram que a arma encontrada na casa dele foi usada para matar ao menos seis vítimas, como explica Rejane Barcelos, superintendente da polícia científica. 
— Segundo a própria confissão do autor, existem várias outras vítimas. Então, o trabalho da polícia científica, que é o confronto balístico vai continuar confrontando os padrões dessa arma que foi apreendida na casa do suspeito com todos os projéteis retirados dos corpos das vítimas. 
A polícia suspeita que o vigilante pode ter escondido os corpos de algumas vítimas. Segundo o superintendente da Polícia Civil, o número de mortes pode ser muito maior.
— A partir da prisão dele, é que podemos agora ter um pouquinho da noção do tamanho da gravidade. Eu já estou na situação de que não vou me surpreender se o número for muito maior do que esses 39.
Enquanto puder contribuir com a investigação de alguns dos crimes, ele será mantido em uma cela da delegacia, isolado e cercado de extrema vigilância.