terça-feira, 11 de outubro de 2016

Prefeito eleito é preso por posse ilegal de arma durante mandado de busca


Lucas Azevedo
Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

  • Polícia Civil
    Arma encontrada na casa do prefeito eleito de Monte Belo do Sul, Adenir José Dallé (PMDB), que está sendo investigado por irregularidades ocorridas na sua administração anterior
    Arma encontrada na casa do prefeito eleito de Monte Belo do Sul, Adenir José Dallé (PMDB), que está sendo investigado por irregularidades ocorridas na sua administração anterior
O prefeito eleito de Monte Belo do Sul, na serra gaúcha, foi preso na manhã desta segunda-feira por posse ilegal de arma. Adenir José Dallé (PMDB), que deve assumir em janeiro o executivo da cidade que fica a 121 km de Porto Alegre, foi flagrado por policiais durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência.
O político, que já esteve à frente da prefeitura da cidade de 2,7 mil habitantes entre 2008 e 2012, é investigado sobre possíveis desvios dos cofres públicos. Ele foi eleito no dia 2 deste mês com 1.342 votos (48,66%).
 
A prisão ocorreu na casa de Dallé no início desta manhã. Agentes da Delegacia Fazendária do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) estiveram no local procurando provas para uma investigação que apura crime de peculato (quando se trata de funcionários públicos) envolvendo desvio de dinheiro público e apropriação indébita. Foram cumpridos mandados também em Porto Alegre, no bairro Moinhos de Vento, na casa e escritório do ex-procurador do município, cuja identidade não foi revelada.
 
Trata-se de um valor recebido pelo procurador do município e que deveria ter retornado aos cofres de Monte Belo. Em 2009, a prefeitura ganhou uma causa trabalhista contra o INSS. Porém, os honorários advocatícios, ao contrário do que entendeu o TCE (Tribunal de Contas do Estado), foram para a conta do ex-procurador do município. O prefeito e o advogado foram cobrados, mas a quantia não foi devolvida aos cofres públicos.
 
"O Tribunal de Contas do Estado cobrou tal renúncia de receita a um dos indivíduos investigados, causada pelo agir do então procurador jurídico, inclusive gerando título executivo contra ele. O investigado não realizou o pagamento, apesar de ter sido buscado acordo pelo município e buscou discutir o débito, perdendo em todas as instâncias. Seguiremos investigando todos os indivíduos, além de realizar buscas por outros envolvidos", salientou o delegado Daniel Mendelski.
Documentos apreendidos na ação desta segunda serão submetidos à análise da polícia. O UOL tentou até o meio da tarde contato com o prefeito através de seu celular, mas os telefonemas não foram atendidos.
 
Dallé foi solto no fim da manhã depois que pagou fiança de R$ 1,5 mil. Em sua defesa, o prefeito alega que o dinheiro já foi devolvido, inclusive, com correção. "Estou perplexo com tudo isso que está acontecendo. Estive na delegacia porque acharam uma arma que era do meu pai, já falecido. Lá tive que fazer o registro dela, mas na realidade já estava me preparando para devolvê-la. Não tenho nada a esconder", disse ao jornal Correio do Povo.
 
O prefeito explicou que durante seu primeiro mandato a prefeitura ganhou um processo contra o INSS no valor de R$ 100 mil. Os honorários do procurador do município - R$ 9 mil -, que haviam sido depositados na conta do advogado, já teriam sido devolvidos. "Não tem nada de ilegal", destacou Dallé.